Quem é Thaylândia Pereira? A história de uma paciente bipolar antes do consultório

Por Thaylândia Pereira · Psicóloga · CRP MG 04/57801

Ilustração simbólica de livros e caderno de estudos ao lado de um computador.

Sou Thaylândia Pereira, paciente bipolar tipo 1, casada com uma mulher também bipolar e psicóloga especialista em transtornos do humor (depressão e transtorno bipolar). Essa apresentação reúne experiências que fazem parte da minha vida todos os dias: receber cuidado, compartilhar a vida com a Bárbara e acompanhar outras pessoas no consultório.

Quando alguém me procura, encontra uma profissional que estuda e trabalha com esses transtornos, mas também uma pessoa que precisou buscar respostas para o próprio sofrimento. Quero contar como cheguei até aqui, porque minha história começou muito antes de eu compreender meu diagnóstico.

Antes do diagnóstico, uma menina tentando encontrar segurança

Sou mineira e cresci em uma casa em que as dificuldades financeiras e a tensão faziam parte da rotina. Houve períodos em que faltava comida e em que eu não sabia como seria o ambiente em casa naquele dia. Aprendi cedo a desejar independência.

Também era uma criança inquieta, cheia de energia, que gostava de correr e brincar. Eu me chamava de Taz-Mania. Essa é uma lembrança da menina que fui; não significa que cada comportamento da infância possa ser explicado pelo diagnóstico que recebi adulta.

Aos 16 anos, depois de um término, vivi minha primeira depressão. Naquele momento, eu ainda não sabia que levaria cerca de 12 anos para receber o diagnóstico de transtorno bipolar.

Aos 18 anos, morar sozinha e dar conta da vida

Fui morar sozinha aos 18 anos. Foi muito difícil. Eu precisava trabalhar, estudar e pagar as contas enquanto tentava encontrar meu lugar. A independência que eu desejava vinha acompanhada de aluguel, responsabilidades e pouca margem para ficar sem trabalho.

Passei por diferentes empregos e cursos. Fiz técnico em Informática, trabalhei em loja e cheguei a experimentar um curso de solda no SENAI. Nesse último, fiquei por três meses. Eu tinha dificuldade de esperar o tempo necessário para a solda firmar e acabava avançando antes da hora. Ainda estava procurando uma profissão em que me encontrasse.

Trabalhei também em uma livraria. Em um período de vendas de Natal, discuti com meu chefe sobre a divisão de uma tarefa e acabei sendo demitida. Eu precisava daquele emprego para me sustentar. Foi uma experiência difícil, que se somou aos desafios de construir a vida adulta sem compreender bem o que acontecia com minhas emoções.

Ao longo daqueles anos, a irritabilidade, a ansiedade, a euforia e as compras excessivas apareceram em diferentes momentos. Eu ainda não compreendia essas experiências no contexto da bipolaridade. Trabalho e contas continuavam exigindo respostas mesmo quando eu não conseguia entender o próprio humor.

O código de celular que abriu caminho para a Psicologia

O interesse pela Psicologia surgiu durante o técnico em Administração, em uma matéria que chamou minha atenção. Naquela época, eu trabalhava como auxiliar administrativa em um hospital. Uma colega falou sobre o FIES, e a possibilidade de financiar a graduação tornou o curso mais próximo da minha realidade.

Em 2015, no último dia do prazo para confirmar o financiamento, eu dependia de um código enviado por SMS. O sinal do celular estava ruim e a mensagem não chegava. Coloquei o aparelho na janela, tentando conseguir sinal, e fui tomar banho para trabalhar, chorando com medo de perder a oportunidade.

Quando voltei, o código estava lá. Consegui concluir o processo e começar a faculdade. É uma lembrança muito concreta do que significou estudar para mim: havia vontade, mas também era preciso conseguir os meios para entrar e continuar.

Concluí a graduação em Psicologia na Faculdade Pitágoras de Belo Horizonte em 2019. A formação abriu um novo caminho profissional, enquanto minha própria saúde mental ainda precisava de respostas.

O diagnóstico aos 28 anos e a presença da Bárbara

Durante a terapia, chegou a ser levantada a hipótese de transtorno bipolar antes do diagnóstico definitivo. Houve mudanças de trabalho e perda de acesso ao acompanhamento nesse percurso. Conseguir continuidade de cuidado também foi uma dificuldade.

Quando a Bárbara recebeu o diagnóstico dela, passei a conviver mais de perto com o tratamento do transtorno bipolar. No começo, eu ainda tinha muito a aprender. Ver a medicação fazendo parte da rotina não significava compreender tudo o que o cuidado exigia.

Em um período em que eu dormia pouco, estava muito irritada e tomava decisões impulsivas, foi ela quem percebeu a gravidade do que acontecia e me incentivou a buscar avaliação psiquiátrica. Aos 28 anos, recebi o diagnóstico de transtorno bipolar tipo 1, cerca de 12 anos depois da primeira depressão.

Ter uma explicação ajudou a compreender parte da minha trajetória. A partir dali, eu precisava aprender a cuidar de mim com continuidade, acompanhar o tratamento e reconhecer mudanças que antes passavam sem compreensão.

Quando eu não conseguia levantar nem para beber água

Em 2022, atravessei uma depressão importante. Houve um momento em que eu não conseguia levantar nem para beber água. A Bárbara estava comigo e me ajudou a reconhecer que eu precisava interromper os atendimentos naquele período e voltar ao médico.

Eu havia pedido para cancelar o dia. Ela percebeu que seria preciso cancelar a semana e priorizar meu cuidado. Precisar dessa ajuda, sendo psicóloga, também faz parte da minha história.

Eu e a Bárbara começamos a estudar mais sobre o transtorno. Buscamos livros, aulas e referências que nos ajudassem a compreender o tratamento e a conversar melhor com os profissionais. Com acompanhamento médico e ajustes na medicação, fui recuperando condições de retomar a vida.

A construção da minha estabilidade reuniu terapia, medicação acompanhada pelo médico e hábitos de vida. Aprender sobre sono, rotina e sinais de mudança me ajudou a participar desse cuidado no cotidiano. O acompanhamento continua fazendo parte da minha vida hoje.

Escrevi com mais detalhes sobre a depressão bipolar, quando até levantar exigia esforço, e sobre como construí minha estabilidade com transtorno bipolar.

Ilustração simbólica de uma mesa de trabalho com caderno e duas cadeiras.
Ilustração conceitual gerada por IA; não representa pessoas ou situações reais.

Paciente, esposa e psicóloga: o cuidado em três lugares da minha vida

Sou esposa da Bárbara Moura, que também tem transtorno bipolar, é estudante de medicina e minha sócia. Compartilhamos a vida, a casa, os projetos e o cuidado. Ela esteve presente em momentos em que eu precisei de ajuda, assim como eu conheço a experiência de conviver com o diagnóstico de alguém que amo.

Essas vivências participam da minha sensibilidade ao escutar quem procura atendimento. Conheço o cuidado como paciente, como esposa e como psicóloga especialista em transtornos do humor. No consultório, quero compreender a história de cada pessoa com a mesma atenção às particularidades que reconheço na minha.

Minha experiência pessoal se soma à formação e ao estudo. Tornei-me especialista em Transtornos do Humor e em Terapia Cognitivo-Comportamental, e sigo em formação continuada. Já ajudei dezenas de pacientes a alcançar estabilidade no tratamento do transtorno bipolar, respeitando os diferentes percursos e a necessidade de cuidado contínuo.

No atendimento, trabalhamos com o que acontece na vida: sono, rotina, pensamentos, emoções, sinais de mudança no humor, relações e dificuldades entre as consultas. A terapia faz parte de um cuidado que reúne medicação acompanhada pelo médico e hábitos de vida, com estratégias construídas para cada pessoa.

A clínica que nasceu do desejo de ampliar esse cuidado

A Clínica Caminho da Estabilidade nasceu da necessidade de acolher mais pessoas para além da disponibilidade da minha agenda. O trabalho que começou no atendimento individual ganhou uma equipe e um projeto compartilhado com a Bárbara.

Sou responsável pela capacitação e supervisão clínica das psicólogas da equipe. Nossos encontros de supervisão acontecem semanalmente, às quintas-feiras, às 9h, com discussão de casos, estudo e atenção às dúvidas do acompanhamento, preservando o sigilo de cada paciente. A Bárbara participa como sócia e estudante de medicina; os atendimentos em Psicologia são realizados pelas psicólogas.

Desde 2025, também sou palestrante sobre transtorno bipolar. Levar informação para além do consultório é outra parte do meu trabalho: aproximar as pessoas de uma compreensão do diagnóstico e das possibilidades de cuidado.

A Thay quando o atendimento termina

Fora do consultório, sou a esposa da Bárbara e compartilho com ela a vida com nossos pets, Ralph e Luke. Também tenho meu lado geek: gosto de A Bela e a Fera, Harry Potter, Disney, Pixar, Star Wars e Marvel. Esses gostos e vínculos também fazem parte de quem sou.

Hoje, tenho relações, trabalho e projetos que desejo viver, e o tratamento faz parte do cuidado com essa vida. Quando conto que sou paciente bipolar, esposa de uma mulher bipolar e psicóloga, estou apresentando experiências que se encontram no meu dia a dia.

Esta é a Thay que você encontra aqui: alguém que precisou buscar respostas, aprendeu a aceitar ajuda e continua cuidando de si enquanto trabalha para que outras pessoas também encontrem acompanhamento.

Conheça minha apresentação no site e veja como funciona o atendimento comigo e com a equipe da clínica.

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Por Thaylândia Pereira · Psicóloga · CRP 04/57801. Atualização editorial: 29/10/2026. Relato pessoal; não substitui avaliação individual.

Quem escreve este blog

Sou Thaylândia Pereira, psicóloga especialista em bipolaridade e depressão e paciente bipolar. Também sou esposa de uma mulher bipolar. Essas experiências estão presentes nas perguntas que trago sobre rotina, relações e cuidado.

Como psicóloga especialista em transtornos de humor, escrevo para tornar essas conversas mais compreensíveis. Minha atuação como psicóloga especialista em transtorno bipolar orienta o conteúdo profissional; minha história pessoal não substitui evidências nem avaliação individual.

Na busca por estabilidade, o cuidado reúne terapia, medicação acompanhada pelo médico e hábitos de vida. Já ajudei dezenas de pacientes a alcançar estabilidade no tratamento do transtorno bipolar, respeitando as necessidades e o percurso de cada pessoa.

Se você procura uma psicóloga online para transtorno bipolar, conheça como funciona a terapia online para transtorno bipolar comigo ou o atendimento com a equipe da clínica.