Thaylândia Pereira: minha estabilidade com transtorno bipolar

Por Thaylândia Pereira · Psicóloga · CRP MG 04/57801

Ilustração simbólica de um caderno, copo de água e luz suave ao lado da cama.

Receber o diagnóstico de transtorno bipolar tipo I, em 2021, foi uma parte importante do meu processo. Ainda havia muito a fazer depois: encontrar um acompanhamento adequado, observar a resposta ao tratamento, reorganizar a rotina e aprender a pedir ajuda quando a minha capacidade de fazer as coisas diminuía.

Sou Thaylândia Pereira, psicóloga e uma pessoa que vive com transtorno bipolar. Trabalho como psicóloga online para transtorno bipolar, mas neste artigo falo da minha experiência como paciente. É um relato pessoal sobre tratamento e continuidade, sem apresentar a minha história como uma receita que outras pessoas precisem repetir.

O diagnóstico não encerrou o processo

Uma hipótese de transtorno bipolar já havia aparecido na terapia em 2017. O diagnóstico veio em 2021, depois de um período em que dormir cerca de quatro horas, a irritabilidade e a impulsividade faziam parte do que precisava ser avaliado. Bárbara me incentivou a procurar avaliação psiquiátrica, e esse apoio foi importante para eu buscar cuidado.

Ter um nome para o que estava acontecendo ajudou a compreender a situação. Mesmo assim, o tratamento precisou ser acompanhado e revisto ao longo do tempo. Saber qual era o transtorno não resolvia, por si só, as dificuldades do dia seguinte.

Aprendi também que compreender o diagnóstico não significa atribuir a ele todos os sentimentos ou acontecimentos da minha vida. Tristeza, frustração e conflitos precisam ser considerados no contexto. O monitoramento do humor faz sentido quando ajuda a observar mudanças e conversar com os profissionais, sem transformar a própria vida em vigilância permanente.

Aprender sobre a bipolaridade também incluiu compreender mania, hipomania e depressão, que podem ocorrer de formas diferentes conforme o tipo e o curso do transtorno bipolar. Reconhecer mudanças no sono, na energia e no funcionamento ajudou a organizar o que eu precisava conversar no acompanhamento, sem tentar avaliar tudo sozinha.

Em 2022, atividades simples se tornaram difíceis

Em 2022, atravessei uma depressão importante. Havia dias em que sair da cama e cuidar de necessidades básicas exigia um esforço enorme. Eu já era psicóloga. Ainda assim, conhecer conceitos e técnicas não me dispensava de tratamento, nem fazia com que eu conseguisse me recuperar apenas tentando mais.

Precisei pausar compromissos, aceitar apoio e retomar a avaliação do tratamento. Bárbara esteve presente nesse período e me ajudou a voltar ao cuidado. Esse apoio não substituiu os profissionais: contribuiu para que eu conseguisse procurar e manter o acompanhamento de que precisava.

Naquele momento, estudar mais sobre o transtorno também me ajudou a organizar dúvidas e buscar um cuidado compatível com o diagnóstico. A psicoeducação foi útil, mas a decisão sobre medicação permaneceu com o médico responsável. Aprender sobre o tratamento não autoriza mudar doses ou interromper remédios por conta própria.

O acompanhamento psiquiátrico foi parte essencial

Com avaliação e ajustes no tratamento, comecei a melhorar. Não foi uma mudança instantânea nem um resultado produzido por uma atitude isolada. Houve acompanhamento da resposta ao tratamento e espaço para comunicar sintomas e dificuldades.

Essa experiência reforçou algo que também considero no meu trabalho: a psicoterapia para transtorno bipolar integra um cuidado que frequentemente inclui tratamento medicamentoso e acompanhamento psiquiátrico. Uma modalidade de cuidado não deve ser apresentada como substituta automática da outra.

Quando a pessoa melhora, a continuidade ainda importa. No meu caso, aprender a conversar sobre sono, energia e funcionamento cotidiano foi parte de manter o acompanhamento. O plano precisava considerar o que estava acontecendo na vida real, e não apenas a presença de um diagnóstico no prontuário.

Depois de um período estável, precisei agir novamente

Até março de 2025, eu havia vivido cerca de dois anos de estabilidade. Naquele mês, percebi sinais depressivos, ainda sem um episódio completo. Essa distinção é importante: uma mudança que merece atenção não significa necessariamente que um novo episódio já se instalou.

Procurei acompanhamento, e houve ajuste da medicação pelo médico. Mesmo com a melhora, persistia uma dificuldade concreta: dormir demais e ter dificuldade para levantar. Foi necessário olhar para o que ainda estava comprometido, em vez de considerar o cuidado encerrado porque alguns sintomas haviam diminuído.

Perceber a mudança cedo me permitiu conversar sobre ela no acompanhamento. Eu não precisava esperar que a dificuldade se tornasse maior para relatar o que estava acontecendo.

Ilustração simbólica de um planejador, café e sapatos para atividades do cotidiano.
Ilustração conceitual gerada por IA; não representa pessoas ou situações reais.

Ritmo de vida e pequenas ações possíveis

Nesse processo, a Terapia Interpessoal e do Ritmo Social, conhecida pela sigla IPSRT, e a ativação comportamental tiveram importância. Passei a prestar atenção à organização dos horários e ao que conseguia retomar no cotidiano com apoio.

Quando levantar era difícil, o começo podia ser pequeno e acompanhado. Bárbara me ajudava nessa retomada. O objetivo não era cobrar produtividade ou fingir que a dificuldade não existia. Era construir condições para voltar a participar de atividades, dentro do tratamento.

Sono, refeições e horários de atividade passaram a ser aspectos concretos a observar. Rotina e hábitos podem apoiar o cuidado, mas não compensam sozinhos um episódio que precisa de avaliação. Também não são uma medida de valor pessoal: adoecer não significa ter falhado em organizar a vida.

A regulação emocional entrou nesse cuidado como uma forma de compreender e responder ao que eu sentia. Estabilidade não significa deixar de sentir tristeza, raiva ou alegria. Na avaliação clínica, importa também observar episódios de humor, mudanças de funcionamento e a necessidade de intervenção.

O que essa experiência mudou na minha escuta

Como profissional, a TCC para transtorno bipolar me ajuda a trabalhar com a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos. Como paciente, conheço a diferença entre compreender uma orientação e conseguir colocá-la em prática num período difícil.

Essa diferença pede escuta e adaptação. A TCC para transtorno bipolar precisa considerar o momento clínico, as condições da pessoa e o que é possível fazer. Um planejamento que ignora cansaço, sono, recursos e rede de apoio pode ser difícil de sustentar.

Na atuação como psicóloga online para transtorno bipolar, levo essa atenção à avaliação individual. A minha experiência não é um modelo para comparar pacientes. A psicoterapia para transtorno bipolar deve considerar a história e as necessidades de quem está sendo acompanhado, sem prometer que haverá o mesmo resultado ou no mesmo tempo.

Continuidade também faz parte da estabilidade

Na minha história, a construção da estabilidade reuniu tratamento psiquiátrico, psicoterapia, apoio e mudanças possíveis no dia a dia. Também incluiu reconhecer quando era necessário rever o cuidado. Não se resumiu a um pensamento positivo, à disciplina ou a uma técnica isolada.

É esse o ponto que quero deixar ao compartilhar o relato: precisar de ajuda de novo não apaga o que já foi construído. Comunicar mudanças e manter o acompanhamento pode fazer parte de cuidar da qualidade de vida ao longo do tempo.

Por Thaylândia Pereira — Psicóloga | CRP MG 04/57801.

Referência para as informações gerais sobre tratamento e cuidado contínuo: National Institute of Mental Health — Bipolar Disorder. O relato autobiográfico descreve minha experiência e não substitui avaliação individual.

Minha história como psicóloga e paciente

Para conhecer o caminho até a profissão, leia quem é Thaylândia Pereira, psicóloga: a história antes do consultório. Em outro texto, conto minha experiência com a depressão bipolar e as dificuldades no autocuidado.

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Referência para as informações gerais sobre cuidado

O relato pessoal acima não é evidência de eficácia nem prevê o percurso de outra pessoa. Yatham LN, Kennedy SH, Parikh SV, et al. CANMAT and ISBD 2018 guidelines. Publicação original.

Autoria: Thaylândia Pereira · Psicóloga · CRP MG 04/57801. Revisão clínica sob responsabilidade de Thaylândia Pereira. Atualização editorial: 27/10/2026. Relato pessoal; não substitui avaliação individual.

Quem escreve este blog

Sou Thaylândia Pereira, psicóloga especialista em bipolaridade e depressão e paciente bipolar. Também sou esposa de uma mulher bipolar. Essas experiências estão presentes nas perguntas que trago sobre rotina, relações e cuidado.

Como psicóloga especialista em transtornos de humor, escrevo para tornar essas conversas mais compreensíveis. Minha atuação como psicóloga especialista em transtorno bipolar orienta o conteúdo profissional; minha história pessoal não substitui evidências nem avaliação individual.

Na busca por estabilidade, o cuidado reúne terapia, medicação acompanhada pelo médico e hábitos de vida. Já ajudei dezenas de pacientes a alcançar estabilidade no tratamento do transtorno bipolar, respeitando as necessidades e o percurso de cada pessoa.

Se você procura uma psicóloga online para transtorno bipolar, conheça como funciona a terapia online para transtorno bipolar comigo ou o atendimento com a equipe da clínica.