Você já se xingou por não conseguir fazer o básico num dia de depressão? Esse pensamento tem um nome, uma origem e — o que importa — um caminho para ser desconstruído.
Como essa crença se forma
Na fase depressiva do Transtorno Bipolar, o corpo fica literalmente mais lento. A energia cai, o sono aumenta, a concentração dispersa. Tarefas simples — responder uma mensagem, tomar banho, preparar uma refeição — exigem um esforço desproporcional.
O problema é que a mente não interpreta isso como sintoma. Ela interpreta como prova de caráter. “Se eu não consigo fazer o básico, é porque sou preguiçoso.” Com o tempo, deixa de ser uma interpretação e vira uma identidade: não “estou em depressão”, mas “sou assim.”
Estudos na área de TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental) mostram que pessoas com Transtorno Bipolar desenvolvem crenças centrais rígidas sobre desempenho e valor pessoal que se ativam de forma diferente em cada fase do transtorno. Na depressão, essas crenças assumem o tom da incapacidade. Na hipomania ou mania, podem se inverter completamente — e a mesma pessoa que se via como “peso morto” passa a se sentir indispensável.
O que a TCC faz com isso
A TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental) não ignora essa crença nem pede para você “pensar positivo”. Ela trabalha em três etapas: identificar o pensamento automático no momento em que ele aparece, questionar sua precisão com base nos fatos reais da situação e construir uma interpretação mais equilibrada.
Uma das ferramentas usadas nesse processo é o RPD (Registro de Pensamentos Disfuncionais) — um instrumento que captura a crença no momento em que surge e a submete a perguntas concretas: “Que evidências sustentam esse pensamento? Que evidências o contradizem? O que eu diria para um amigo na mesma situação?”
Com o tempo e com o suporte terapêutico adequado, a crença “sou preguiçoso e fraco” perde força — não porque você se convence de que é perfeito, mas porque você começa a distinguir o que é sintoma do que é caráter.
O próximo passo
Se você reconhece esse pensamento em você, é provável que ele não seja o único. Crenças disfuncionais no Transtorno Bipolar costumam aparecer em conjunto — e se alimentam mutuamente.
Na Clínica Caminho da Estabilidade, o trabalho com crenças faz parte do processo terapêutico desde as primeiras sessões. Thaylândia Pereira, fundadora da clínica e especialista em TCC para Transtornos de Humor, supervisiona a equipe semanalmente para garantir que cada caso seja tratado com o rigor que o Transtorno Bipolar exige.
Se você quer entender quais crenças o transtorno construiu em você — e como desconstruí-las —, fale com a gente.
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